O lenço em tons pastéis cobre-lhe o rosto em penumbra, o olhar sofrido, os lábios mudos.
O corpo não sustenta o peso da consciência que repele, porém não apaga as marcas estampadas em sua alma.
Os braços que lhe tomaram a força da resistência física e espancaram o equilibrio emocional, são os mesmos que agora desfiguram a sua face.
Os gritos foram abafados por lábios espartanos..
O Egrégio, subalterno a dogmas egocêntricos, eclesiáticos, bate com precisão, o martelo da injustiça deferindo a reparação. A Corte Suprema regida por inconsequentes fanáticos, em prol da massa despersonalizada pela infuência provinciana do Poder religioso largamente associado ao Estado.
Ocorre que seus gritos emudecidos, suas pernas invadidas por instintos de selvagens militantes, seu corpo açoitado não tiveram direito a qualquer recurso, quiçá, ao apoio familiar outrora corrompido por costumes preconceituosos que abortaram seus laços afetivos diante da vergonha estampada em sua honra deflorada.
Restou-lhe a loucura, a fuga da sua realidade insana, com as mãos repletas, ingeriu a solução que naquele momento pareceu-lhe a sentença final.
Agora inerte.
Lara Barros Loureiro
sexta-feira, 16 de março de 2012
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Beatniks
A sensibilidade humana como ponto de vista,
de jovens libertários extremistas,
de braços incansáveis a suspender os gritos,
inflamados por conflitos.
O discurso encharcado de cansaço,
ás palavras ferinas talentosas como aço.
Em cima de palcos, despidos de luxos,
opostos aos saltos,
cuspiam na desvalorização sistemática da sensibilidade,
pregando nas paredes, nos textos, na alma, a igualdade.
Incineraram o sistema capitalista,
considerado como sujo, desumano, egoísta.
Não lavaram a consciência,
com á água industrializada da maledicência.
Tradição libertária,
anti-hierárquica, anti-centralista, anti-autoritária.
A democracia ousada e usada,
taxatoriamente como "bom dia",
logo veio á queda do homem público,
a ascensão do homem privado,
à chegada das máquinas, à subordinação do homem ao estado.
A oposição a privatização,
em defesa da manutenção do auto-conhecimento,
resumindo-se na paz interior,
na harmonia como panicéia aos homens sedentos,
seu algoz era o sectarismo, discurso intransigente,
defensor do individualismo.
A consciência profética trazia novas formas de controle social,
sobrepondo-se ao modelo da racionalidade científica
que lhes foi proposto pela classe política,
onde o homem produz em série,
optam pelo indíviduo, pela integridade humana,
um autismo coletivo, uma classe de místicos,
heróis,
oldados,
da fragilidade humana.
Lara Barros
de jovens libertários extremistas,
de braços incansáveis a suspender os gritos,
inflamados por conflitos.
O discurso encharcado de cansaço,
ás palavras ferinas talentosas como aço.
Em cima de palcos, despidos de luxos,
opostos aos saltos,
cuspiam na desvalorização sistemática da sensibilidade,
pregando nas paredes, nos textos, na alma, a igualdade.
Incineraram o sistema capitalista,
considerado como sujo, desumano, egoísta.
Não lavaram a consciência,
com á água industrializada da maledicência.
Tradição libertária,
anti-hierárquica, anti-centralista, anti-autoritária.
A democracia ousada e usada,
taxatoriamente como "bom dia",
logo veio á queda do homem público,
a ascensão do homem privado,
à chegada das máquinas, à subordinação do homem ao estado.
A oposição a privatização,
em defesa da manutenção do auto-conhecimento,
resumindo-se na paz interior,
na harmonia como panicéia aos homens sedentos,
seu algoz era o sectarismo, discurso intransigente,
defensor do individualismo.
A consciência profética trazia novas formas de controle social,
sobrepondo-se ao modelo da racionalidade científica
que lhes foi proposto pela classe política,
onde o homem produz em série,
optam pelo indíviduo, pela integridade humana,
um autismo coletivo, uma classe de místicos,
heróis,
oldados,
da fragilidade humana.
Lara Barros
Bossa Nova .
È o retrato sonoro em sépia,
são papéis itinerantes amarelos,
consagrados
em verbos profanados
por lábios poéticos.
no dedilhar de cordas dinâmicas e saudosistas.
A batida clássica inspiradora de versos,
com introdução de Dick Farney,
nada moderno, porém eterno.
Bossa Nova e poesia, a arte em papel,
em conexão com a arte de ouvir com o coração,
o que os ouvidos não sentem.
Uma giría aos lábios de Juca Chaves,
o corpo lírico de partes que formam um todo inspirado,
na alma dos poetas.
O corpo bonito, os cabelos castanhos, à pinta do lado
o nariz enpinado da Teresa da praia,
disputada e amada no verão ou no inverno,
por Lúcio Alves e Dick Farney.
As pernas da mulher morena por Vinicius de Moraes,
o rosto da Ângela na janela do avião, vista por João Bosco,
os olhos da Maysa inspirados por Manuel Bandeira,
os verbos femininos e melancólicamente citados
por Florbela Espanca,
os lábios úmidos e inquietos da mulher morena,
que abominam a volúpia de todos os frios descritos por Vinicius,
no colo, a flor deixada depois do amor por Ronaldo Bôscoli,
os olhos de Ana Luiza ocultados em serra ou mar,
procurados por Tom Jobim.
Nas mãos a glória entardecida percebida por Jorge Medauar,
a força psicológica por traz da narrativa de Dostoiévski.
E caminhando por entre as veias
deste corpo poético e musical,
aos pés da Santa Cruz o grande amor se ajoelhou,
e João Gilberto com sua esplêndida sensibilidade,
em notas nos confidenciou.
Lara Barros Loureiro
são papéis itinerantes amarelos,
consagrados
em verbos profanados
por lábios poéticos.
no dedilhar de cordas dinâmicas e saudosistas.
A batida clássica inspiradora de versos,
com introdução de Dick Farney,
nada moderno, porém eterno.
Bossa Nova e poesia, a arte em papel,
em conexão com a arte de ouvir com o coração,
o que os ouvidos não sentem.
Uma giría aos lábios de Juca Chaves,
o corpo lírico de partes que formam um todo inspirado,
na alma dos poetas.
O corpo bonito, os cabelos castanhos, à pinta do lado
o nariz enpinado da Teresa da praia,
disputada e amada no verão ou no inverno,
por Lúcio Alves e Dick Farney.
As pernas da mulher morena por Vinicius de Moraes,
o rosto da Ângela na janela do avião, vista por João Bosco,
os olhos da Maysa inspirados por Manuel Bandeira,
os verbos femininos e melancólicamente citados
por Florbela Espanca,
os lábios úmidos e inquietos da mulher morena,
que abominam a volúpia de todos os frios descritos por Vinicius,
no colo, a flor deixada depois do amor por Ronaldo Bôscoli,
os olhos de Ana Luiza ocultados em serra ou mar,
procurados por Tom Jobim.
Nas mãos a glória entardecida percebida por Jorge Medauar,
a força psicológica por traz da narrativa de Dostoiévski.
E caminhando por entre as veias
deste corpo poético e musical,
aos pés da Santa Cruz o grande amor se ajoelhou,
e João Gilberto com sua esplêndida sensibilidade,
em notas nos confidenciou.
Lara Barros Loureiro
A Poesia.
A poesia corre nas veias,
deságua nos olhos,
nos lábios fica cheia.
A poesia vive
lá dentro,
por vezes,
está,
cá,
fora,
é como um inquieto sujeito
que nunca vai embora.
A poesia enche os pulmões
esvazia o ego;
alimenta o coração;
desvenda o cego.
A poesia é construtora,
serve de ponte,
edifica pacificamente
sublimes horizontes.
A poesia é teimosa,
por que ela rima,
e se você não adequa o verbo,
a frase não combina.
A poesia esquenta
o que vem do tépido,
dá forma e sentido,
á ausência de léxico.
A poesia é um rio
que corre solto,
se você quizer guardá-la,
é possivel materializá-la
para guardá-la nos bolsos.
Lara Barros Loureiro
Educação para todos.
Nefasta, é a nossa realidade social, os presídios estão lotados de criminosos, estes oriundos de fatores peculiares, fatores estes causados por uma série de ineficiências humanas. Mas é claro, se nós somos conduzidos pelo genêro humano, somos espécies, embora distintas por classes sociais, estas que são determinantes no que tange ao nosso futuro.
Mas, por que? Boa pergunta, não se sabe ao certo, mas foi assim que fomos educados.
A classe política em sua função administrativa com toda a abrangência da palavra, atualmente tenta contornar o problema da educação, concedendo autorização a toda e qualquer instituição que deseje ingressar no mercado com fins de prover a expansão educacional, ao passo que com a finalidade de facilitar o ingresso de todo e qualquer cidadão a estes estabelecimentos de ensino, implantou-se o desenvolvimento de financiamentos estudantis. Nada contra. Todavia, nas Universidades Federais, determinou-se o direito a vagas para cotistas com o intuito de remendar um buraco causado pela ineficiência na educação, mas isso é coisa do passado, agora têm-se uma garantia aos que foram desprivilegiados e parece que isso basta.
O universitário então tornou-se um sujeito comum, basta ter o veículo financeiro de acesso e consequentemente o direito ao ingresso nas instituições privadas estará garantido. Da mesma forma, basta ter estudado em renomadas escolas privadas, adquirindo conhecimento privilegiado para carimbar o provável ingresso em Universidades Federais.
Então, a problemática reside na condição financeira estigmatizada pelas classes sociais distintas ou está gravada pelo desleixo para com a educação desde os primeiros passos escolares do individuo?
Ao meu ponto de vista, o sujeito é formado pela educação e pela cultura, caracteristicas as quais não podem divorciar-se jamais da figura humana, visto que são os alicerces que formam cumulativamente com outros fatores à personalidade do mesmo.
Não se pode mensurar, muito menos definir, os motivos que levam o individuo a criminalidade, são inúmeros e diferentes fatores, mas sem dúvidas a precariedade quanto o acesso a educação de qualidade gera uma infinidade de exclusões sociais que se estendem ao longo de anos. De um lado uma classe favorecida pelo capitalismo e do outro uma infinidade de classes decadentes ou de sobreviventes.
Estou convencida de que uma reforma educacional seria um grande passo , com incentivos desde o período pré-escolar, diversificando disciplinas e expandindo a cultura de forma obrigatória e essencial a todo e qualquer indivíduo. Tapar o sol com a peneira é um paliativo que tem infeccionado a educação no país, uma vez que os dados confirmam com exatidão que a solução não está em remediar a educação com facilidades aos desprovidos, está sim, em reformar um sistema eivado de vícios enraizados na absoluta ganância de governantes sem o menor talento para servir.
Lara Barros Loureiro;
Mas, por que? Boa pergunta, não se sabe ao certo, mas foi assim que fomos educados.
A classe política em sua função administrativa com toda a abrangência da palavra, atualmente tenta contornar o problema da educação, concedendo autorização a toda e qualquer instituição que deseje ingressar no mercado com fins de prover a expansão educacional, ao passo que com a finalidade de facilitar o ingresso de todo e qualquer cidadão a estes estabelecimentos de ensino, implantou-se o desenvolvimento de financiamentos estudantis. Nada contra. Todavia, nas Universidades Federais, determinou-se o direito a vagas para cotistas com o intuito de remendar um buraco causado pela ineficiência na educação, mas isso é coisa do passado, agora têm-se uma garantia aos que foram desprivilegiados e parece que isso basta.
O universitário então tornou-se um sujeito comum, basta ter o veículo financeiro de acesso e consequentemente o direito ao ingresso nas instituições privadas estará garantido. Da mesma forma, basta ter estudado em renomadas escolas privadas, adquirindo conhecimento privilegiado para carimbar o provável ingresso em Universidades Federais.
Então, a problemática reside na condição financeira estigmatizada pelas classes sociais distintas ou está gravada pelo desleixo para com a educação desde os primeiros passos escolares do individuo?
Ao meu ponto de vista, o sujeito é formado pela educação e pela cultura, caracteristicas as quais não podem divorciar-se jamais da figura humana, visto que são os alicerces que formam cumulativamente com outros fatores à personalidade do mesmo.
Não se pode mensurar, muito menos definir, os motivos que levam o individuo a criminalidade, são inúmeros e diferentes fatores, mas sem dúvidas a precariedade quanto o acesso a educação de qualidade gera uma infinidade de exclusões sociais que se estendem ao longo de anos. De um lado uma classe favorecida pelo capitalismo e do outro uma infinidade de classes decadentes ou de sobreviventes.
Estou convencida de que uma reforma educacional seria um grande passo , com incentivos desde o período pré-escolar, diversificando disciplinas e expandindo a cultura de forma obrigatória e essencial a todo e qualquer indivíduo. Tapar o sol com a peneira é um paliativo que tem infeccionado a educação no país, uma vez que os dados confirmam com exatidão que a solução não está em remediar a educação com facilidades aos desprovidos, está sim, em reformar um sistema eivado de vícios enraizados na absoluta ganância de governantes sem o menor talento para servir.
Lara Barros Loureiro;
Traços
Pérolas em mãos sujas de lama destoam, ausente o brilho inerente.
No entanto, lindas flores nascem e desenvolvem-se em pântanos.
Eis a prova viva da inquestionável essência humana.
Somos na verdade, aquilo que não alcançamos com as mãos,
o que transcende os julgamentos humanos,
a parte que se ausenta quando a sociedade estabelece padrões,
o corpo nu de estereótipos,
somos partes de um todo distinto
e passamos a vida tentando harmonizá-lo.
Somos então, um livro colorido, preto e branco ou em sépia,
estampado com as cores que nos representam,
distintos, porém com o passar do tempo, assemelham-se,
inicialmente amarelados, um tanto gastos,
por vezes amarrotados ou por acidente dobrados,
sutilmente manchados ou marcados com rosas secas,
estampados com retratos ou figurinhas,
sublinhados e repletos de observações,
por vezes de folhas soltas, ruídas.
Assim, representam por meio dos traços
e do enredo, o passo a passo desta passagem.
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Um paradoxo
O amor é assim,
Quando invade
Não respeita nada.
... ...
Nem titulos nem rótulos.
O sentimento transborda.
Desconhece o espaço e o tempo
Infringe o Código da parentalidade
Suspira.
Toma para si
O fruto da gestação alheia.
Estende seu trato
Ao cordal umbilical.
Rouba-lhe suas dores
Afim de atênuá-las.
Converte-se,
Desdobra-se
Encantada por seus
torna-se
mãe.
Lara Barros
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