terça-feira, 3 de novembro de 2015

Onde estão as nossas raízes?



A pergunta é sugestiva. Somos formados e transformados por experiências ao longo do tempo. Cada um com sua história peculiar, com sensações e emoções singulares. O passado geralmente é considerado um período que deve ser esquecido - apagado. 
Será? As experiências que trazem sentimentos densos e causam desconforto, devem ser esquecidas em virtude da sua inutilidade. Contudo, algumas sensações dolorosas - podem ser avaliadas e desconstruídas, trazendo novos sentimentos e cura interior. 

Sim, uma coisa é você avaliar a qualidade das suas experiências e transformá-las, outra coisa é passar uma borracha em todo o passado e abandonar as suas raízes, pois são estas que revelam o contorno de toda a sua história de vida. Seria como zerar o cronômetro e se abster de todos os episódios que nos fizeram crescer e amadurecer, através dos nossos erros e da observação dos erros alheios.
Se é verdade a afirmação, de que tudo depende do ponto de vista, podemos observar toda e qualquer situação a partir do seu lado positivo ou negativo - e nessa ambiguidade de informações, a peneira da reflexão deve pautar-se nas experiências que nos deixaram mais fortes.
A indagação inicial está impregnada de uma coletânea de passados - pois somos a infância reprimida que tivemos, a abrangência de afetos recebida, o professor que nos perseguiu, a presença materna recorrente, os amigos que nos traíram, a sorte com as boas notas na escola, as paixões não correspondidas, as palavras de carinho que nos disseram e as pessoas amáveis que conhecemos. Toda pessoa é uma resposta humana.

 Quando uma coisa desagradável acontece, a tendência é abolirmos tal sensação das nossas lembranças, ao inverso, deveríamos refletir sobre como as experiências são importantes para o nosso processo de formação como seres sencientes e, cada uma delas, em sua classificação benéfica ou maléfica - deve ser compreendida como um grande aprendizado.
Sempre tive o costume de guardar pedacinhos de coisas - mensagens escritas em guardanapos, cartas datadas, rosas mergulhadas em vidros de álcool e fotografias com lembretes. Eles serão marcadores de quem fui e sinalizadores do caminho que percorri, para ser "como estou". 
Reserve suas lembranças, suas folhas amareladas, seus ombros amigos e suas cicatrizes. A vida nos apresenta novidades o tempo inteiro, cabe a cada um, atualizar-se as inovações, porém, com o cuidado de manter as suas raízes.
Fazendo uma analogia, podemos comparar o nosso desenvolvimento mental e espiritual ao crescimento de uma planta como o bambu -  que a partir da semente lançada á terra, cresce lentamente a base do equilíbrio e da flexibilidade diante das adversidades. Há espécies que levam 100 anos para crescer e seu desenvolvimento ocorre debaixo da terra, sem ninguém vê.
 As sementes se espalham e após um longo período se ramificam. Levam aproximadamente vinte e cinco anos para atingir sua altura máxima.  Nesse horizonte comparativo - avalia-se o quão importante é criar e manter raízes fortes para que possamos nos guiar com serenidade e confiança em nós mesmos - diante dos desafios que a vida nos apresenta.
 Se porventura você percebeu que deixou a sua essência em algum lugar adormecida ou mesmo perdida - abra o baú empoeirado das lembranças e acenda a luzinha das emoções, através do resgate daquilo que temos de melhor e mais profundo: a essência genuína .

Lara Barros .

2 comentários:

Jesse Navarro disse...

Repassar sua história de vida é algo importante, não é preciso ser idoso para fazer uma autobiografia, mesmo que não a publique. Reescrevendo sua história, você revive todos esses momentos de dor e de alegria, que, como você diz no seu texto, resume que é você agora. Muito bacana, gostei do blog.

Priscila Azevêdo disse...

As más lembranças, as experiências negativas devem servir tão somente para nosso crescimento/aprendizado e jamais para justificar possíveis fracassos futuros. Já as boas lembranças devem ser guardadas para não esquecermos que o mundo não é de todo ruim e que ainda existe muita coisa boa à ser vivida.

Bom texto, Lara.
Beijão.
Priscila Azevêdo